Estava nervoso, esperando tempo demais naquela maldita fila. Os dedos suavam, e eu olhava para todos os lados como uma criança perdida dos pais. Então a nossa vez chegou. Escolhi o primeiro carrinho, pois decidi desfrutar ao máximo de minha súbita coragem. Se viveria a maior emoção de minha vida, então a faria valer a pena.
Ao meu lado estava você, que gentilmente pegou em minha mão fria, tranquilizando-me do que viria a seguir. Olhei em seus olhos convidativos e enfim o trajeto começou. O carro moveu-se com certa lentidão, subindo logo no começo um inclinado trecho. Tudo ocorreu muito bem, eu diria. Admito que estava ansioso para ver o que viria em seguida. Mas, naquele momento, eu estava ocupado demais, admirando a paisagem lá do alto. O mundo estava ao meu redor, porém meu olhar insistia em focar-se apenas no seu sorriso.
A subida enfim terminava, e de prontidão pude observar a descida que vinha em frente. Foi aí que o misto inexplicável de sentimentos começou. O nosso carro desceu com toda a força, e meus pensamentos moviam-se com a mesma pressa, impossibilitados de exercerem algum tipo de organização. O meu coração girava, feliz como nunca, e os meus dentes à mostra denunciavam a felicidade encontrada depois de tanta procura.
Como se não pudesse ficar melhor, logo entramos em um daqueles loopings. O giro que nos deixou de ponta cabeça manteve a minha alucinação. Mal sabia eu de que ela era passageira.
Só entendi a gravidade de tudo quando, ainda emocionado, vi que a montanha russa não tinha fim. Os trilhos inacabados em nossa frente nos levavam para a morte certa.
E eu, cego pelo passeio inusitado, estava muito ocupado para pensar no fim. Este, que na verdade não existia.
O carro veloz deixou o percurso e voou para longe dali, arremessando-nos em direções opostas. O resultado de minha tentativa de aventurar-se foi que acabei destruído. Quando à você, saiu ilesa.
Há sempre uma filha da mãe que sobrevive.
Por : Pedro Guerra. vale a pena : http://mintaparamim.blogspot.com/