sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Só mais um capítulo.

Eu era o tipo de pessoa que, antes de dormir, sempre falava para mim mesma: “Vou ler só mais um capítulo” e acabava lendo sete ou até deixava de dormir só para ler. Eu me aprisionei dentro do meu próprio mundo, onde só o que importava eram os meus livros e meu mundo imaginário, onde todas as histórias criavam vida. Eu perdi meus amigos, perdi meu tempo, perdi tudo o que acontecia à minha volta. Nada me interessava a não ler os livros. As pessoas começaram a passar por mim com expressões feias no rosto e muitas vezes fingiam que eu simplesmente não estava lá. De fato, eu não estava. Estava viajando no meio das linhas das histórias impressas nas centenas de páginas que tinha em mãos. Até que um dia, ao abrir o meu armário na escola, encontrei um novo livro, um que eu nunca tinha visto antes. Era pequeno e cheio de desenhos. O li em poucos minutos com um tanto de desprezo, e no final dizia:

“Eu te amo. Porque se isso não estivesse em um livro, você não me daria atenção. Klimt.”

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